[23/12/2009] • 7 comentários

Dá deus o frio conforme a roupa? Só a simples aceitação de que tal é verdade, revela-nos automaticamente um deus misericordioso…um deus justo…que não pede mais que aquilo que eu posso dar…que tem plena consciência das minhas limitações enquanto Homem..enquanto pessoa…

…mas depois penso: então e aquelas pessoas que morrem de frio? Não só na rua…também em suas casas…! Então e essas pessoas? Serão menos importantes? Será que, só porque a maioria das “ovelhas de deus” aguenta as temperaturas baixas, as minorias podem ser “sacrificadas”? …a não ser, claro, que o frio seja metafórico…

…e se o frio for, na realidade, a necessidade? Aí teria lógica…deus daria a necessidade consoante aquilo que já se tem…mas revela-nos a história politica (através do comunismo) que as coisas não funcionam assim…que quem tem, quer sempre mais e mais…e a sua satisfação vai sendo cada vez mais pequena quanto maior é a supressão de necessidades anteriores…resumindo…Quanto mais roupa, mais frio…

…e se a roupa for a fé? A fé que nos veste quando o frio da sociedade moderna nos atropela…ou a fé que nos veste de sentimentos e valores…por esta ordem de ideias, o frio seria, em si mesmo, uma carência. Todos somos carentes em alguma coisa…eu sou carente de humildade, por exemplo…será a roupa a fé de que um dia melhorarei este feitio? …até pode ser…mas então, onde entra o “Big-d” no meio disto tudo? É ele que me dá essa carência? Mas não deveria ser ele a dar-me a roupa??

Acho que levantei mais perguntas que criei respostas…mas não podia terminar sem fazer um paralelismo com outro ditado…um que os meus pais costumam usar, apesar de nunca o completarem: “Nós damos-te a cana…”…mas eu sei que tenho de ser eu a aprender a pescar…acho que, no fundo no fundo…deus dá o “frio” para que, quando temos pouca “roupa”, queiramos trabalhar…

[15/12/2009] • 1 comentários

A insatisfação da satisfação inconsequente de outrém. Diz-se de quem tem a sorte constante_ mente a bater à porta, mas não aproveita ou não agradece a mesma. Será Inveja, daquela que salta ao ouvido?
Há os afortunados e os "nem por isso". Construídos ou atribuídos, os acontecimentos inverosímeis, desejados ou espontâneos, são motivo de discussões. Tendo por origem Deus, Destino, Fado, Sorte, Fortuna, as Forças do Universo, o número de Plank, uma certeza fica: a realidade é-o, a partir daquele instante em que a graça é concedida. Ou fabricada, por nós ou outros...ou sempre esteve escrita.
O que fazemos com ela é que nos distingue. De nada serve uma fortuna testamentada se nos comportamos como novos-ricos e esbanjamos como se tivéssemos a certeza na palma da mão (ou no MasterGold da Visa)! Os que não têm dentes sempre podem guardar o espólio, para uma outra ocasião. Pedir a outro que as abra, trinque e lhas ponha na boca. Vendê-las, trocá-las por um album em vinil do Quim Barreiros. Aliás, o ditado, como o conheço e comummente ouço, é mais completo, logo mais redutor: "Dá Deus nozes a quem não tem dentes para as comer", o que claramente indica que foi concedida inconvenientemente a graça... Hum... estou a afastar-me do assunto.
É justo? Que ele tenha melhores notas sem ter estudado, e não queira seguir estudos? Que a miúda mais gira o ama e ele é gay? Que Deus nos tenha dado este mundo para cuidar e o máximo que conseguimos é querer imitá-lo? Não creio que Deus seja um miserável sem sentido de humor. Pelo contrário! Se o faz é para nos apercebermos que a humildade e a admiração são dons a cultivar.
Atribuímo-nos o papel de pseuDeuses quando julgamos e sentenciamos. Saberemos porventura toda a existência concreta de alguém? "Deus escreve direito por linhas tortas", diria agora. Porque não tentar um "Deus lhe dê discernimento para bem aproveitar o que lhe foi dado", apelando a uma melhoria contínua na capacidade de acção do outro? E sentir realmente essa vontade!
Congratulemo-nos pelas graças concedidas, a nós e outros. O resto... é com Deus.

[14/12/2009] • 2 comentários

Desta vez lembrei-me disto: pegar em alguns provérbios populares e propor que eles nos provoquem. Falam-nos de Deus, ou escondem-nos Deus!? Ao dizer, impávidos e serenos, algum destes provérbios estaremos realmente a respeitar o nome d´Ele?

(como o Natal está à porta, proponho que publiquemos os nossos textos durante o próximo fim de semana)


-PA: Deus escreve direito por linhas tortas.

-Alx: Deus tarda, mas não falha.

-Carlita: Voz do povo, voz de Deus.

-Anacruz: Cada um sabe de si e Deus sabe de todos.

-Catarina: Deus aperta, mas não enforca.

-Elsa: Ao menino e ao borracho põe Deus a mão por baixo.

-Rafa: Dá Deus o frio conforme a roupa.

-Mariana: Mais vale quem Deus ajuda do que quem muito madruga.

-Fabiana: Quem dá aos pobres, empresta a Deus.

-Paul(inh)o: Deus não dorme.

-The Clerk: Dá Deus nozes, a quem não tem dentes.

-Fatimamede: Quem não pede, não o ouve Deus.

[segunda-feira, dezembro 14, 2009] • 0 comentários

Podemos começar por aqui. Melhor, devemos começar mesmo aqui. Só assim se fará caminho. Acredito. Melhor, acredito que Deus não é uma coisa qualquer. Melhor ainda. Não é uma ideia maior ou mais perfeita que outra que venhamos a encontrar. Deus é. É Aquele ser único, irrepetível que, de certo modo, SE dá/deu ao luxo de se meter connosco, falando-nos de Si e de nós. E nesse falar, fez a vai fazendo mossa (essencialmente boa).
Deus nunca soube estar de outro modo. Melhor, só sabe estar connosco. Na maior das diversidades, posso aventurar-me, que nos formam. Basta, ainda hoje, olhar uma assembleia duma celebração e dá vontade de tremer, ainda. A diversidade de pessoas, histórias, sentires, bloqueios, sonhos, heresias e mais que haja. E, no entanto, é essa gente que continua, além de merecer o nosso respeito, a ser um connosco na busca do rosto de Deus. E, esse mesmo Deus, não se deixa estar quedo. Assim como veio ao nosso encontro ao longo da história, continua a chegar hoje. E a querer que assim seja. Na sua diversidade. Pai, sim. Filho, também. Espírito para sempre.
Sinto que é este Deus que ainda nos falta descobrir na nossa dimensão comunitária. Como grupo de crentes (cristãos) também e ainda.
Talvez aqui resida uma distinção que nos transforma ou nos faz, pelo menos diferentes, de outros credos. Tão dignos de respeito como o nosso. Mas o nosso Deus é um Deus connosco. Na história e ao longo da história. Melhor, é um Deus que vira a história do avesso ao fazer-se história humana, também.
Sinto, por vezes, que aqui falhei como ministro. Ou, se quisermos, que a Igreja falha constantemente. Ao não ser capaz de apresentar Deus convenientemente.
Mas talvez esse seja o desafio maior, para Ele e para nós. Ele que tem de continuar a encontrar maneiras de Se dar a conhecer, apesar da nossa fé. Nós que, no constante dos dias, temos de O descobrir apesar das ideias feitas e institucionalizadas historico-culturalmente e religiosamente!!!.
Mais que tudo: Acredito em Deus Pai que me ama. Acredito em Jesus Cristo, Deus e Um connosco em humanidade. Acredito no Espírito Santo, constante presença e força inspiradora de forças que a razão desconhece.
No fundo: sinto-me, ainda hoje, um privilegiado em ter tido a oportunidade de acreditar e de, ainda hoje e sempre, de ter de continuar à procura  dum rosto de Deus que fuja às barreiras do espaço e do tempo. Mas que ao mesmo tempo, seja mais do que pura invenção da minha própria sensibilidade. Porque tem história feita com a humanidade. Tem história contada e recontada na Palavra de Deus. Tem história comigo...

Tem oferta de Si Mesmo...

E enquanto não descobrirmos essa oferta constante de Deus, não nos descobrimos e não O descobrimos a Ele(s).