[28 de Jan de 2010] • 1 comentários

E eu Pedi... Queria muito ir ao Encontro Europeu de Taizé... à Polónia... e fui... Fui porque lutei por isso, fui porque acreditei que ao pedirmos com o nosso interior, conseguimos muitas vezes ser ouvidos... Sentir que o iria Ouvir, naquele encontro que conseguiu ser mais "Um", entre os três que tive oportunidade de já viver naquela Simples e Humilde comunidade.... Obrigado Abílio.... A responsabilidade será sempre tua e Dele que me faz sentir tão bem cada vez que volto à vida normal!!! E mais uma vez vim cheia, mas com uma enorme vontade de ficar!!! Ficar para o Ouvir no meu silêncio profundo!!! Que soube tão bem!!! É nestes momentos de reflexão que percebemos que Pedir, Ouvimos Deus, na forma como nos sentimos, como nos damos com os outros, como podemos aceitar de bom agrado todas as coisas boas e menos boas que vamos vivendo e presenciando...

De momentos de serenidade interior, volto para o mundo que deixei... Agora lembro-me que à cerca de 2 meses pedi a Deus que atendesse às minhas preçes de salvar uma criança... e eu Ouvi...não sei ainda se bem... mas Ouvi... Ela ficou...Não da maneira que gostariamos, mas ficou... Senti por momentos que tudo iria acabar, que Deus não me ouviu... Mas quem sou eu no meio de um mundo tão grande para duvidar do que ele quer? Quem sou eu para achar que tudo deveria de ser diferente??? Só tenho a dizer um pouco mais conformada com tudo que será sem dúvida uma enorme lição de vida para todos os crescidos que a rodeiam...

Eu Peço e Ouço Deus de diversas maneiras... Nem sempre adivinho o que ELE quer para o que eu peço... Mas quero sentir que tudo o que ELE me diz tem uma enorme razão de ser, e que se assim o é, eu só terei que ter vontade de viver cada vez mais feliz!!!



Um bem haja a todos e um Bom Ano cheio de Pedidos e de Vozes de todos os Lados.......





Fatimamede

[27 de Jan de 2010] • 1 comentários

Talvez qualquer popular explicasse este ditado dizendo que Deus nos põe á prova, não nos liberta dos obstáculos, obriga-nos a pensar, a crescer e a encontrar soluções. Guia-nos sem nos dizer vai por aqui ou por ali, ouve-nos mas não nos dá tudo de mão beijada. Mas este mesmo Deus nunca nos deixa cair, não sai do nosso lado, não nos torna as coisas impossíveis; ajuda aqui e ali nas questões cruciais e levanta mais o pano quando andamos perdidos. Não nos enforca.

Mas eu acho que Deus não me põe a prova de nada, ele anda de mão dada comigo; qualquer obstáculo para mim seria um obstáculo para ele. É verdade que não me facilita a vida mas também não é para isso que cá está. Não lhe peço nada, não me põe nada a frente. Caminha comigo e não vai mudar o meu caminho, se tiver dificuldades posso encontrar nele suporte, se eu cair ajudar-me-á a levantar. Pensa comigo nos problemas, ri-se e põe questões, como se falasse com ele como falo com qualquer outra pessoa.

Não posso dizer que aperte nas dificuldades da vida porque não é Ele que as cria; nem quando me faz pensar ou mudo o meu rumo – isso sou eu. Admito ser extremamente difícil para mim explicar uma relação que nunca esteve em palavras. O Deus de uns talvez aperte, o de outros não, não será uma perspectiva? Será que muda a maneira como olhamos as barreiras se soubermos que alguém lá em cima aperta connosco e até espera de nós?

[18 de Jan de 2010] • 4 comentários

Está escrito! Aqui!

[15 de Jan de 2010] • 2 comentários

[Para escrever esta pequena reflexão associei às palavras menino e borracho, inocência e beleza interior.]

Tem-me sido difícil escrever sobre este tema. Nunca tinha dado muita importância a este provérbio. Aliás, reparo que sempre que o ouvi, não gostei muito da situação.
A Deus e a este conjunto de palavras nunca consegui atribuir uma ligação que não sentisse estar a fazer uma invocação em vão.
A música desta frase sempre me suou como uma desculpa ou acusação. A primeira manifestando a ausência do colo de Deus; a segunda manifestando sentimento de injustiça na atribuição do colo a alguém indevidamente.
Ah... estou a lembrar-me de outra: em que a música de fundo da frase é um sentimento de pena acentuado de "coitadinho".

Se proferido nestes cenários, o nome de Deus será dito em vão.

Mas, se for o "menino"ou o "borracho" a dize-lo em jeito de agradecimento por si ou por outro, então não será em vão que se invoca o nome de Deus.

Sempre que de meninos e de borrachos conseguimos SER um pouco, Deus vai-nos colocando a mão por baixo.

[9 de Jan de 2010] • 2 comentários

A accção "ajudar" tem dois elementos envolvidos:

- quem oferece a ajuda
- quem a recebe posteriormente

A sua aplicação na práctica poderá não ser imediata. Provavelmente porque o contexto alterou-se ou porque, bem vistas as coisas, a ajuda não era assim tão útil para quem a requereu.
Ainda há casos em que as pessoas, com o seu belo "bitaite" ou acção espontânea, agem sem qualquer tipo de suporte, ou seja, aventuram-se com acção isolada. Uns, na calada da noite, outros sem medo de enfrentar terceiros.


Pedir ajuda faz de nós seres incapacitados? Pergunto eu......


Também nunca vos aconteceu que, após pedir ajuda, alguém também esteje curioso sobre o resultado, atento o que irá acontecer, à aplicação terrena da tal ajuda apalavrada, para além de vós mesmos?


Muitas vezes pedimos a tal ajuda a Deus e com isso tornamo-nos Seus mensageiros, mensageiros da Sua palavra, das Suas acções. Contribuimos para o que nos rodeia seja melhor e mais harmonioso. Juntamos esforços para que isso aconteça, potencializando o que de melhor há em nós.


(aqui fica apenas um link onde se pode ouvir uma história que se baseia neste provérbio)

[7 de Jan de 2010] • 2 comentários

... dia 20 proporei novos temas... -seria bom que até ao dia 15 de JANEIRO todos nós publicássemos os nossos artigos!!!!

e, já agora, k tal uma operação de marketing, junto dos nossos contactos, deste espaço: assim a participação é fraquita e a ideia não é celebrarmos o anonimato mas sim a discussão alargada...


ou estarei enganaado!!!???

[23 de Dez de 2009] • 7 comentários

Dá deus o frio conforme a roupa? Só a simples aceitação de que tal é verdade, revela-nos automaticamente um deus misericordioso…um deus justo…que não pede mais que aquilo que eu posso dar…que tem plena consciência das minhas limitações enquanto Homem..enquanto pessoa…

…mas depois penso: então e aquelas pessoas que morrem de frio? Não só na rua…também em suas casas…! Então e essas pessoas? Serão menos importantes? Será que, só porque a maioria das “ovelhas de deus” aguenta as temperaturas baixas, as minorias podem ser “sacrificadas”? …a não ser, claro, que o frio seja metafórico…

…e se o frio for, na realidade, a necessidade? Aí teria lógica…deus daria a necessidade consoante aquilo que já se tem…mas revela-nos a história politica (através do comunismo) que as coisas não funcionam assim…que quem tem, quer sempre mais e mais…e a sua satisfação vai sendo cada vez mais pequena quanto maior é a supressão de necessidades anteriores…resumindo…Quanto mais roupa, mais frio…

…e se a roupa for a fé? A fé que nos veste quando o frio da sociedade moderna nos atropela…ou a fé que nos veste de sentimentos e valores…por esta ordem de ideias, o frio seria, em si mesmo, uma carência. Todos somos carentes em alguma coisa…eu sou carente de humildade, por exemplo…será a roupa a fé de que um dia melhorarei este feitio? …até pode ser…mas então, onde entra o “Big-d” no meio disto tudo? É ele que me dá essa carência? Mas não deveria ser ele a dar-me a roupa??

Acho que levantei mais perguntas que criei respostas…mas não podia terminar sem fazer um paralelismo com outro ditado…um que os meus pais costumam usar, apesar de nunca o completarem: “Nós damos-te a cana…”…mas eu sei que tenho de ser eu a aprender a pescar…acho que, no fundo no fundo…deus dá o “frio” para que, quando temos pouca “roupa”, queiramos trabalhar…

[15 de Dez de 2009] • 1 comentários

A insatisfação da satisfação inconsequente de outrém. Diz-se de quem tem a sorte constante_ mente a bater à porta, mas não aproveita ou não agradece a mesma. Será Inveja, daquela que salta ao ouvido?
Há os afortunados e os "nem por isso". Construídos ou atribuídos, os acontecimentos inverosímeis, desejados ou espontâneos, são motivo de discussões. Tendo por origem Deus, Destino, Fado, Sorte, Fortuna, as Forças do Universo, o número de Plank, uma certeza fica: a realidade é-o, a partir daquele instante em que a graça é concedida. Ou fabricada, por nós ou outros...ou sempre esteve escrita.
O que fazemos com ela é que nos distingue. De nada serve uma fortuna testamentada se nos comportamos como novos-ricos e esbanjamos como se tivéssemos a certeza na palma da mão (ou no MasterGold da Visa)! Os que não têm dentes sempre podem guardar o espólio, para uma outra ocasião. Pedir a outro que as abra, trinque e lhas ponha na boca. Vendê-las, trocá-las por um album em vinil do Quim Barreiros. Aliás, o ditado, como o conheço e comummente ouço, é mais completo, logo mais redutor: "Dá Deus nozes a quem não tem dentes para as comer", o que claramente indica que foi concedida inconvenientemente a graça... Hum... estou a afastar-me do assunto.
É justo? Que ele tenha melhores notas sem ter estudado, e não queira seguir estudos? Que a miúda mais gira o ama e ele é gay? Que Deus nos tenha dado este mundo para cuidar e o máximo que conseguimos é querer imitá-lo? Não creio que Deus seja um miserável sem sentido de humor. Pelo contrário! Se o faz é para nos apercebermos que a humildade e a admiração são dons a cultivar.
Atribuímo-nos o papel de pseuDeuses quando julgamos e sentenciamos. Saberemos porventura toda a existência concreta de alguém? "Deus escreve direito por linhas tortas", diria agora. Porque não tentar um "Deus lhe dê discernimento para bem aproveitar o que lhe foi dado", apelando a uma melhoria contínua na capacidade de acção do outro? E sentir realmente essa vontade!
Congratulemo-nos pelas graças concedidas, a nós e outros. O resto... é com Deus.

[14 de Dez de 2009] • 2 comentários

Desta vez lembrei-me disto: pegar em alguns provérbios populares e propor que eles nos provoquem. Falam-nos de Deus, ou escondem-nos Deus!? Ao dizer, impávidos e serenos, algum destes provérbios estaremos realmente a respeitar o nome d´Ele?

(como o Natal está à porta, proponho que publiquemos os nossos textos durante o próximo fim de semana)


-PA: Deus escreve direito por linhas tortas.

-Alx: Deus tarda, mas não falha.

-Carlita: Voz do povo, voz de Deus.

-Anacruz: Cada um sabe de si e Deus sabe de todos.

-Catarina: Deus aperta, mas não enforca.

-Elsa: Ao menino e ao borracho põe Deus a mão por baixo.

-Rafa: Dá Deus o frio conforme a roupa.

-Mariana: Mais vale quem Deus ajuda do que quem muito madruga.

-Fabiana: Quem dá aos pobres, empresta a Deus.

-Paul(inh)o: Deus não dorme.

-The Clerk: Dá Deus nozes, a quem não tem dentes.

-Fatimamede: Quem não pede, não o ouve Deus.

[Segunda-feira, Dezembro 14, 2009] • 0 comentários

Podemos começar por aqui. Melhor, devemos começar mesmo aqui. Só assim se fará caminho. Acredito. Melhor, acredito que Deus não é uma coisa qualquer. Melhor ainda. Não é uma ideia maior ou mais perfeita que outra que venhamos a encontrar. Deus é. É Aquele ser único, irrepetível que, de certo modo, SE dá/deu ao luxo de se meter connosco, falando-nos de Si e de nós. E nesse falar, fez a vai fazendo mossa (essencialmente boa).
Deus nunca soube estar de outro modo. Melhor, só sabe estar connosco. Na maior das diversidades, posso aventurar-me, que nos formam. Basta, ainda hoje, olhar uma assembleia duma celebração e dá vontade de tremer, ainda. A diversidade de pessoas, histórias, sentires, bloqueios, sonhos, heresias e mais que haja. E, no entanto, é essa gente que continua, além de merecer o nosso respeito, a ser um connosco na busca do rosto de Deus. E, esse mesmo Deus, não se deixa estar quedo. Assim como veio ao nosso encontro ao longo da história, continua a chegar hoje. E a querer que assim seja. Na sua diversidade. Pai, sim. Filho, também. Espírito para sempre.
Sinto que é este Deus que ainda nos falta descobrir na nossa dimensão comunitária. Como grupo de crentes (cristãos) também e ainda.
Talvez aqui resida uma distinção que nos transforma ou nos faz, pelo menos diferentes, de outros credos. Tão dignos de respeito como o nosso. Mas o nosso Deus é um Deus connosco. Na história e ao longo da história. Melhor, é um Deus que vira a história do avesso ao fazer-se história humana, também.
Sinto, por vezes, que aqui falhei como ministro. Ou, se quisermos, que a Igreja falha constantemente. Ao não ser capaz de apresentar Deus convenientemente.
Mas talvez esse seja o desafio maior, para Ele e para nós. Ele que tem de continuar a encontrar maneiras de Se dar a conhecer, apesar da nossa fé. Nós que, no constante dos dias, temos de O descobrir apesar das ideias feitas e institucionalizadas historico-culturalmente e religiosamente!!!.
Mais que tudo: Acredito em Deus Pai que me ama. Acredito em Jesus Cristo, Deus e Um connosco em humanidade. Acredito no Espírito Santo, constante presença e força inspiradora de forças que a razão desconhece.
No fundo: sinto-me, ainda hoje, um privilegiado em ter tido a oportunidade de acreditar e de, ainda hoje e sempre, de ter de continuar à procura  dum rosto de Deus que fuja às barreiras do espaço e do tempo. Mas que ao mesmo tempo, seja mais do que pura invenção da minha própria sensibilidade. Porque tem história feita com a humanidade. Tem história contada e recontada na Palavra de Deus. Tem história comigo...

Tem oferta de Si Mesmo...

E enquanto não descobrirmos essa oferta constante de Deus, não nos descobrimos e não O descobrimos a Ele(s).



[22 de Nov de 2009] • 3 comentários

consciencialização (consciencializar + -ção)
s. f.
Acto!Ato ou efeito de (se) consciencializar. = conscientização

consciencializar (consciencial + -izar)
v. tr. e pron.
Tornar ou ficar consciente. = conscientizar



Voltar a descobrir que Deus nos habita, mora dentro de cada um de nós.
Mas na maioria das vezes andamos tão preocupados em encontrá-Lo por aí, naquilo que nos rodeia, no rosto de quem cruzamos…

“Maior é Aquele que está em nós do que aquele que está no mundo” (I João 4, 4)

Aquele que é Pai, Filho e Espírito Santo. Enquanto Pai, está por nós e connosco. Na sua qualidade de Filho, compreende as nossas vicissitudes, a nossa pequenez e fragilidade. Pelo Espírito Santo, que recebemos no baptismo, transforma…transforma-nos. É esta a vertente mais incompreensível pela lógica, mais confusa mas simultaneamente mais atraente. Surgem as dúvidas. Como deixar que Deus, pelo seu Espírito me torne melhor? Como sinto eu e vivo esse Espírito? Que mudanças opera Ele em mim?...

Procurar então, mais uma vez, de novo, um “Deus-cá dentro”, no meu lugar mais recôndito a que chamo íntimo, a que chamo meu Ser. Aproveitando para rever aquilo em que digo acreditar, correndo riscos… Risco de perceber que afinal Deus-Espírito está só parcialmente presente em mim ou mesmo de não O encontrar! Mas também posso descobrir que afinal Ele permanece lá e com Ele vou construindo laços de amizade, consciencializar que Ele me cativou e que agora não há volta a dar.

Tenho que cuidar desse Amor e cuidar implica deixar-me transformar. Ao permitir isso consigo depois, então, encontrar Deus fora de mim, naquilo que me rodeia, nos olhares e sorrisos que passam por mim. Ainda mais extraordinário, é sentir que passamos a ser, diria, um rosto iluminado, onde os outros vêem em nós algo de especial, de diferente, que não é mais do que Deus através de nós, Deus-Espírito que manifesto nos nossos gestos, atrai e dá sentido ao caminho proposto/escolhido.
E aqui fica a proposta… Re-consciencializar Deus em ti…

[21 de Nov de 2009] • 3 comentários

Apesar de estar por vezes ausente como Católica que sou, não consigo imaginar ou melhor sentir que se Adora ou Ama Deus com a razão…Razão é uma palavra “séria” demais, se é que assim se pode dizer, para Amar Deus. Deus é coração, é sentimento, é de dentro… Deus é amor… é Amar o que não se vê sem perguntar porquê… Apesar de a razão nos chamar muitas vezes à real e que muitas vezes não temos alternativa para fugir às evidências, o coração faz-nos sentir coisas que a razão desconhece… Faz-nos amar sem razão… E Deus é isto, é coração; coração que nos impulsiona para Amar cada vez mais!

Um abraço a todos


Fátima Mamede Jordão

[Sábado, Novembro 21, 2009] • 1 comentários

Não. Quando acreditamos em alguém não temos de amar essa pessoa para acreditar…Podemos simpatizar com ela, ter algum apreço… porque normalmente temos tendência para acreditar em quem mais apreciamos! Mas ao mesmo tempo sinto-me um pouco confusa… Porque eu Amo Deus e por isso acredito Nele… O Amor que por Ele sentimos está expresso em cada gesto que fazemos! Se por vezes faço gestos bons agradeço pelo que fiz a Ele e porque acredito que Ele me ajuda a comigo encontra o melhor caminho. Quando nem por isso ajo da melhor maneira é Deus que está no meu pensamento porque acredito nas coisas que Ele através de outros Homens me ajudou a acreditar para praticar o bem…. E amo-o por tudo o que acredito, por tudo o que luto, por tudo o que agradeço… Acreditar em Deus é amá-lo pelo que vemos pelo que não vemos, pelo que conseguimos ser…

Fátima Mamede Jordão

[16 de Nov de 2009] • 3 comentários

Quando somos pequeninos, acreditamos que o pai é aquele que está presente sempre que chamamos, é aquele que tudo resolve, é aquele que conforta, que acolhe, que protege, é aquele que nos defende dos maus, é aquele que afasta os nossos fantasmas, que mata os monstros escondidos debaixo da cama, é aquele que invocamos quando queremos mostrar superioridade, é aquele que queremos imitar quando formos grandes… mas depois crescemos e… Puf! É como se o feitiço que tornou o nosso pai aquele super-herói tão especial se desfizesse num breve instante. Quando esse super-pai começa a perder poderes aos nossos olhos, quando começa a ser falível, quando as feridas deixam de passar com um beijinho, quando ele já não nos pode dar tudo o que queremos, quando ele já não é capaz de dar resposta a todos os nossos problemas e a todas as nossas questões, eis que aparece a promessa de um novo super-herói equipado com, pelo menos, tantos super-poderes – Deus.
Deus oferece-nos ainda mais uma quantidade de super-poderes que não seriam possíveis para o super-pai terreno. Senão vejamos, ao invés de um super-pai que nos oferece vida finita Deus oferece-me uma vida sem fim, para além da morte. Deus oferece-me ainda extras como capacidade de perdão absoluto, poder para estar presente em qualquer situação e disponibilidade para me ouvir a qualquer hora do dia. Para além de tudo isto, Deus tem ainda uma super arma, uma espécie de arma de destruição maciça que tudo move e que é capaz das maiores revoluções – chama-se amor incondicional.

Mas será a nossa relação com Deus uma relação com a paternidade mal resolvida? A nossa relação com os outros é uma projecção das relações que estabelecemos na nossa infância. Tendemos a reproduzir a relação que os nossos pais têm um com o outro no relacionamento futuro com a nossa cara-metade, tendemos a reproduzir o comportamento dos nossos pais quando somos pais, portanto tendemos também a reproduzir a relação que temos com o nosso pai terreno na relação com Deus. Assim, se prevalece um pai austero e disciplinador acredito num Deus mais punitivo que me poderá condenar ao Inferno se entrar em incumprimento, se por outro lado a minha relação com a figura paterna é uma relação de maior dependência, tenderei a que a minha relação com Deus seja de passividade e de expectativa de que Ele resolva todos os problemas (uma espécie de Deus muleta). Portanto, se a minha relação com o pai é de cumplicidade, se o meu pai é aquele que dá colo, então tendo a acreditar num Deus capaz de me amar infinitamente, num Deus Pai, num Deus com quem tenho vontade de me fazer ao caminho.

Assim, se tenho uma relação com a paternidade mal resolvida, tendo a fugir de relações equiparadas que me causam sofrimento, e por isso diria que tendo a afastar-me de Deus ou a ter também uma relação com Deus mal resolvida, e até comigo mesma. Mas quando sou uma pessoa bem resolvida, com uma relação com a figura paterna (e também materna) bem resolvida, então é mais fácil para mim estabelecer uma relação segura com Deus, uma relação de confiança e forte vinculação.

Será então que acreditar em Deus não será antes uma relação com a paternidade BEM resolvida? E não será o pai aquela figura autoritária e obstrutora que escapa ao encanto do afectivo regaço maternal? Será Deus um super-Pai ou estará Ele muito mais próximo de uma super-Mãe?

[15 de Nov de 2009] • 5 comentários

Ambas as dualidades “pobreza/abundância” e “fé/não fé” poderão ter uma dinâmica muito interessante nas nossas vidas. Ninguém nasce com elas. Ninguém lida com elas de forma permanente.


Nós, enquanto cristãos, somos convidados, por exemplo, na altura da Quaresma a abdicar ou a repensar a importância que damos a determinada coisa. Alguns de nós, de facto, implementam tal ensinamento durante esse período mas há outros que não lhe dão qualquer valor. Tal diferença faz com que pensemos que os primeiros têm maior fé em Cristo? É possível ou imaginável medir a fé através do que possuímos?


Vou contar-vos uma história que se passou enquanto estava a viajar pela Índia (NOTA: por muito que digamos que não, o factor financeiro possibilita-nos conhecer realidades religiosas no terreno e que, muitas vezes, abalam ou reequacionam o que acreditamos. Este é um facto irrefutável) …. Continuando…. Estava numa cidade maioritariamente budista, no meio dos Himalaias e travei amizade com um rapaz com 24 anos e que era proprietário de uma agência de viagens. Quando tinha tempo livre, caminhava da minha pensão até à agência dele e ficávamos a falar sobre tudo. Houve um dia em que fui lá de propósito para saber como é que eu podia assistir a uma conferência do Dalai Lama, já que ele daria ensinamentos por uns 3 dias numa terra muito perto de onde eu estava. Pensaria eu que eram apenas 10 minutos. Convidou-me para ir a um café beber chá e lá ficámos por 2 horas. Uma das coisas que mais me recordo desta conversa, para além das múltiplas perguntas que ele me ia fazendo, foi a seguinte: “Sentes-te ameaçada?”. “O que é que ele quer dizer com isto?”, pensava eu.


Quanto mais possuímos, mais cremos que podemos possuir mais. Quando nos vemos sem nada ou pensamos nalgum dia em que isso possa acontecer, muitas são as vezes em que colocamos o nosso olhar em Deus e pedimos para que isso nunca aconteça (por exemplo, não perder o emprego).




Sentimo-nos realmente ameaçados?


Pelas coisas que possuímos ou pelas coisas/aspectos que possam abalar a nossa fé?


Será que, abdicar daquilo que temos, aprofunda a nossa fé?

[11 de Nov de 2009] • 5 comentários

Poderia começar este texto por dizer que a cor de Deus não é o preto. Preto, por definição, é a ausência de cor. E falar das cores de Deus implica a sua presença.

Em oposição poderia dizer que Deus é branco, que é a sobreposição de todas as cores. Como me é difícil definir Deus, quando o tento fazer tendo a querer que seja tanto que o torno num branco abstracto.

Tentando concretizar um pouco mais e recorrendo a uma imagem mais poética ou lamechas, poderia dizer que Deus tem as cores do arco-íris. Quando na sua paleta as mistura, pinta tudo o que quer.


A verdade é que não identifico Deus como detentor destas cores. Deus não há-de ter o preto, nem o branco, nem nenhuma das cores do arco-íris. Não as há-de ter só porque são as únicas que conheço.

Como poderei definir as suas cores? Fazê-lo seria atribuir-lhe limites. Limite é próprio do homem, não do Divino. Limitar é impedir à construção. Limitar dificulta a evolução, não potencia a transcendência e aumenta a distância da verdade.


Mas é como homem que me relaciono com, e em Deus. Assim será sempre. E é nos meus limites que terei de me transcender na sua relação. Por isto, embora não consiga definir as cores de Deus, tenho de procurar entender o poder das cores de Deus em cada um. Em cada um, sim! Em cada um, por cada um!

A cor dá vida, embeleza, identifica, caracteriza. Se conseguirmos sentir esta vida, esta beleza esta identidade e reconhcermos a verdade das nossas características então reconhecemos as cores de Deus em nós. Somos pessoas realizadas e felizes.

Nem sempre somos felizes! São muitas as razões que podemos apontar para tal fatalidade.


As cores de Deus são reconhecidas por nós em cada um de nós num misto de inter e intra-relações. Para as encontrar há que não ter medo de perguntar (com atitude humilde e verdadeiramente construtiva) antes de catalogar.

Não há que ter medo de nascer de novo, de voltar a olhar, a escutar, de renovar conceitos prévios em relação a nós e aos outros. Não há ter medo de aprofundar o poder que cada um tem em si. Não há que ter medo de viver.

As cores de Deus são as qualidades e tesouros que cada um traz. As cores de Deus são definidas pela capacidade de cada um fazer da sua qualidade uma mais-valia, na relação consigo, com os outros e com Ele.

Ter esta atitude humilde e perspicaz de estar em constante observação e questionamento em relação ao que nos faz pensar como pensamos, agir como agimos, ver como vemos é importante para nos conhecermos, para aceitarmos os outros numa perspectiva integradora e de autêntico respeito. É fundamental para que Adoremos Deus, amanado-O sobre tudo a que tantas vezes damos importância mas na verdade são apenas “coisas”.

[10 de Nov de 2009] • 10 comentários

Aqui respira-se Deus…
Aqui? Mas onde? Em todo o lado, basta estar atentos, abrir os olhos olhar e inspirar bem. Ao faze-lo não só libertamos os nossos “pulmões” como também O podemos sentir. Podemos, sentir a Sua presença e a Sua força, a Sua mão, o Seu olhar ou Simplesmente respirá-Lo. Mas quando, onde e como?
Não sei bem porquê mas dou comigo frequentemente a divagar, olhando uma cena do meu quotidiano ou do da cidade, apercebo-me das rotinas e sinto a cidade... e sem querer respiro Deus. Quando trabalho e olho pela janela, observo os mundos dos homens, mas também as maravilhas deste planeta e sinto e respiro...Deus. E quando passeio e descubro num espelho de água a beleza da simplicidade… bom aí, também, respiro Deus.
Parece que apenas temos que estar predispostos a amar. Ao faze-lo sentimos e respiramos Deus. Amar é sentir, amar faz respirar, quando amamos entregamo-nos. Como quando fazemos amor ou beijamos e nos entregamos ao outro e somos um… aí está, respiramos o outro, será blasfémia dizer que também Deus?
Amar a Deus sobre todas as coisas, para mim é isso mesmo, é amar e ao amar e ao demonstrá-lo, respiro-O. Sempre que amamos o próximo estamos a respirá-lo, sempre que amamos a Sua obra estamos a respirá-lo. Aqui respira-se Deus… só temos que estar prontos a faze-lo.

[9 de Nov de 2009] • 12 comentários

Quando abraçamos um Homem, não é o seu físico que abraçamos, é a sua alma, os seus valores, num sinal de admiração, cumplicidade e entrega.

Quando nos prestamos a “abraçar” o Mundo, tentando, tal como num abraço amigo, transmitir essa mesma cumplicidade, admiração e entrega, é também a deus que “abraçamos”, quanto mais não seja porque nos deixámos “abraçar” pela mensagem dele, ainda que não percebamos por vezes o que ela quer dizer. Não é preciso ser Católico para transmitir deus, basta ser Homem. Quando “abraçamos” o Mundo, através do “abraço”/abraço dado aos seus cidadãos, mais que a eles, “abraçamo-nos” a nós, aos nossos valores, às nossas crenças, aos nossos sentimentos e ao nosso projecto futuro, definindo, não quem somos, mas quem queremos ser.

Contudo, quando “abraçamos” a deus, podemos não “abraçar” o Mundo. Podemos fazê-lo, mas não obrigatoriamente. Podemos abraçar a sua imagem, abraçar a sua Igreja e até abraçar o pedinte que está ao nosso lado na celebração. Mas, se olharmos para a Igreja como o espaço de deus (e não falo só do templo), então poderemos não perceber que também nós, individualmente, somos um templo andante, movendo-nos perto de outros templos, cantando com eles, mas não “abraçando” o Mundo. O Mundo não é uma Igreja, nem sequer é um planeta de Católicos ou Cristãos, é um planeta de animais onde, por acaso, alguns são Homens. Porque raio se tenta então abraçar o Mundo através do nome de deus? Isso é cunha! Mas, se “abraçarmos” o Mundo enquanto meros Homens, vamos também abraçar deus, porque “abraçamos” a sua obra, o seu ideal. Como dois irmãos a quem os pais somente pedem que se dêem bem. Se eles se derem bem, não é preciso muita coisa para os pais se sentirem felizes, eles simplesmente sentem-se bem porque os dois filhos se dão bem.

Resumindo: “Quem meus filhos beija, minha boca adoça” (“abraçar” o mundo), mas quem me adoça a boca a mim antes de a meus filhos, pode não ser nada, mas também pode ser uma grande hipocrisia.

[5 de Nov de 2009] • 1 comentários

Falar de um Deus que espera é qualquer coisa que transcende o próprio Deus. Transcende, ao contrário. Deus, nem espera, nem espera que. Mas tem paciência, digo eu. E digo mais: tem uma paciência dos diabos. De nós, pobres diabos!

O que se espera é que nós tenhamos a esperança de que Deus nos dê alguma atenção. Mas dar atenção não é próprio de Deus. Amar, sim, que é muito mais que dar atenção. Quando se ama, não se espera por nem se espera que. Quando se ama, vai-se ao encontro de e pronto. E isso faz toda a diferença.

Agora, o que se espera de nós é que saibamos que Deus vem ao nosso encontro e o acolhamos. Acolher é também isso: amar, amar à nossa maneira. Abrir as nossas portas, as portas de quem somos independentemente do que somos. Acolher Deus é sobretudo adorá-lo e amá-lo sobre tudo. É isso que Deus espera de nós? Claro que não! Deus sabe quem somos, não espera que o sejamos.

Mas tem uma paciência dos diabos. Isso tem.

[3 de Nov de 2009] • 0 comentários

Fátima Mamede Jordão, casada, 30 anos.
Licenciada em Gestão de Empresas na ESTG Leiria e a tirar mestrado em Controlo de Gestão no ISCA Coimbra.
Penicheira até aos 19 anos e Leiriense até agora. Nascida em Hamburgo (Alemanha).
Grande paixão: Viajar.
Frase amiga: "Carpediem"