[03/01/2008] • 3 comentários

TELAS INACABADAS


Procuro, nos quadros da memória,
As tintas, quase gastas, da invenção:
Reconheço nelas a recente História
Que, outrora, ultrapassou uma Ilusão.

Mais não sou do que a mera miragem
De um tempo de outras caminhadas;
Mas descubro, em cada passo, a Imagem
D’Ele que, antes, me fez noutras passadas.

-Talvez, sempre ainda, correndo o risco.
E sendo desnorte no caminhar,
Em terreno, sempre incerto, e voz disto:

-Basta lutar, querer em cada andar
Ser passo, nunca dado e imprevisto,
Gritando à Força do Seu Confiar!

3 comentários:

Augusto Ascenso Pascoal disse...

A ti, meu caro Alx, não posso dizer o que disse ao PA: que sabia que era poeta. De ti, quanto a poesia, achei sempre que escondias algum segredo por detrás da violência de certas palavras. Segredo em que nunca quis penetrar, certamente por timidez, que, afinal, se mascarava de respeito pela intimidade.Ah, como é difícil aprender a ser verdadeiramente amigo!
É isso mesmo, também a amizade é ma tela inacabada.
E o que é que existe na nossa vida de artistas - porque o ser humano é, sempre que quer ser isso, um artista - que não sejam telas inacabadas? Pois claro: telas acabadas são só as do Artista Supremo, esse Deus que não sabemos dizer, mas nos seduz... até pela proximidade com que descobrimos a distância a que nso encontraríamos d'Ele, se Ele não transpusesse essa distância.
Vou copiar o teu poema, que servirá de apoio aos meus esforços de construção interior.
Abraço grande
AP

P.A. disse...

Para mim, foi o poema da noite, apesar da sua primeira leitura ;) não deixar passar verdadeiramente os seus sentidos (pois, a tua manuscrita nunca foi o teu forte...). É daqueles poemas que remetem para uma experiência muito pessoal. Não cabe em qualquer um e para o perceber é preciso saber de quem o diz... a tua arte revela-se.

alx disse...

Não me entendo grande virtuoso. Antes pelo contrário. Agora sinto-me, sentindo. E não sou mais que isso mesmo.

Agradecido pelos comentários

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