[18/01/2008] • 2 comentários

2 comentários:

Augusto Ascenso Pascoal disse...

O meu comentário?
Faço dois, correspondentes a dois momentos de leitura da imagem, que, por estranho que possa parecer a alguém menos habituado às ultrapassagens permitidas pela poesia dos símbolos,me sugere coisas muito belas da existência humana.
E este foi o primeiro momento da leitura: pensei em todas as mães, as de ontem e as de hoje... assim, derramando-se em ternura, para que o futuro da humanidade, alimentado pelo amor que se bebe com o leite materno, não seja pura utopia.

O segundo momento, tive pena que existisse. Foi assim: a decifração dos caracteres que sujam a carne rosada do bébé... que, afinal, já não é tão bébé como isso, destruiu a poesia e o encanto da maternidade, afogando-a numa cruel metáfora da exploração a que nos sujeita a sociedade de consumo: a globalização, naquilo que tem de pior.
E fico atormentado, porque nesta engrenagem infernal não se destrói só e elevação do gesto de amamentar: aniquila-se igualmente a dignidade do amamentado.
Pois, meu caro alx, estou longe de saber porque te impressionou tanto esta imagem.
Das minhas impressões, aí tens parte.
Com muita amizade
AP

alx disse...

Pois, acertou na segunda leitura. Embora as minhas (possíveis) palavras fossem diferentes.
Mas a verdade é que à medida que a paternidade vai crescendo em mim (sim, também cresce: não sei explicar: após um boom inicial, esse sentimento/responsabilidade/missão/etc...) mais me inquieta a linha que separa o carinho essencial (tão bem representado na imagem, na alimentação e no abraço) daquilo que nos querem convencer de ser necessário para...
E nos tempos que correm muitas são as marcas desta "pseudo-convicção".

inté

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