[08/01/2008] • 2 comentários

Eu tento e não consigo responder
e quando O digo acabo por dizer
o que tanta gente diz compreender.
Não compreendo, não sei que palavras
busco para O falar, pronunciar…
Não sei que gestos faço ou se desfaço
aqueloutros com que me insatisfaço.
E dou por mim assim. Assim assim…
num contínuo frenesim sem saber
que explicar se pedem: acreditar
é o quê? que te faz crer? entender
que Ele merece a atenção do coração,
do sentimento, razão ou momento?
Não sei e não consigo responder
e quando O digo acabo por dizer
o que tanta gente diz conhecer.

Mas sinto que há mistério muito sério
que está p’ra além de mim, de ti… d’aqui.
Sei que há momentos que são argumentos
para que a vida tenha um sentido.
E nela dou por mim apercebido
das coisas belas de que não duvido,
das pessoas que me fazem amigo,
de instantes que me deixam surpreendido.

Estar aqui presente e desfrutar
do sabor, da alegria e companhia
de gente que me faz acreditar,
pode ser a razão e, porque não?,
a explicação que me importuna e sigo.
Por isso deixem que vos diga agora:
obrigado pela acalentadora
presença que me leva a comprovar
que Deus está aqui neste lugar,
e pode contemplar-se em cada olhar.

2 comentários:

Augusto Ascenso Pascoal disse...

Meu caro P.A.,
Já sabia, há quanto tempo o sei, Deus meu, que eras poeta... Mas foi sempre muito difícil, contigo e com outros - culpa minha, claro -convencer-te de que te apreciava.
O teu poema tem o condão de transmitir, de forma particularmente emotiva - vantagens do texto poético - o que há três ou quatro anos tento transmitir com uma linguagem conceptual, nas conversas sobre o DIZER A FÉ.
Por isso, esperando que não me acuses ao fisco, vou guardar para mim e meu uso, este poema.
Um abraço.
AP (Não confundir com PA)

P.A. disse...

Caro AP: nem imagina quanto essas palavras são, para mim, um alento. E vindas de quem aprendi, para lá das lides académicas, a apreciar e a respeitar, elas têm um valor que, de certeza, não mereço. Não sou poeta, admito francamente, naquele sentido de que um poeta é-o amiudadas vezes, no exercício da pena e da escrita. Mas tenho o grato privilégio de poder ter aprendido com gente sábia o valor das coisas belas e menos belas e esforçar o seu rabisco em palavras escritas. Obrigado.

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