[15/11/2009] • 5 comentários

Ambas as dualidades “pobreza/abundância” e “fé/não fé” poderão ter uma dinâmica muito interessante nas nossas vidas. Ninguém nasce com elas. Ninguém lida com elas de forma permanente.


Nós, enquanto cristãos, somos convidados, por exemplo, na altura da Quaresma a abdicar ou a repensar a importância que damos a determinada coisa. Alguns de nós, de facto, implementam tal ensinamento durante esse período mas há outros que não lhe dão qualquer valor. Tal diferença faz com que pensemos que os primeiros têm maior fé em Cristo? É possível ou imaginável medir a fé através do que possuímos?


Vou contar-vos uma história que se passou enquanto estava a viajar pela Índia (NOTA: por muito que digamos que não, o factor financeiro possibilita-nos conhecer realidades religiosas no terreno e que, muitas vezes, abalam ou reequacionam o que acreditamos. Este é um facto irrefutável) …. Continuando…. Estava numa cidade maioritariamente budista, no meio dos Himalaias e travei amizade com um rapaz com 24 anos e que era proprietário de uma agência de viagens. Quando tinha tempo livre, caminhava da minha pensão até à agência dele e ficávamos a falar sobre tudo. Houve um dia em que fui lá de propósito para saber como é que eu podia assistir a uma conferência do Dalai Lama, já que ele daria ensinamentos por uns 3 dias numa terra muito perto de onde eu estava. Pensaria eu que eram apenas 10 minutos. Convidou-me para ir a um café beber chá e lá ficámos por 2 horas. Uma das coisas que mais me recordo desta conversa, para além das múltiplas perguntas que ele me ia fazendo, foi a seguinte: “Sentes-te ameaçada?”. “O que é que ele quer dizer com isto?”, pensava eu.


Quanto mais possuímos, mais cremos que podemos possuir mais. Quando nos vemos sem nada ou pensamos nalgum dia em que isso possa acontecer, muitas são as vezes em que colocamos o nosso olhar em Deus e pedimos para que isso nunca aconteça (por exemplo, não perder o emprego).




Sentimo-nos realmente ameaçados?


Pelas coisas que possuímos ou pelas coisas/aspectos que possam abalar a nossa fé?


Será que, abdicar daquilo que temos, aprofunda a nossa fé?

5 comentários:

The Clerk disse...

Nada nos impede de ser ricos e possuidores de uma enorme fé. A diferença está no desprendimento relativamente à riqueza. A materialização da vida leva-nos a colocar em segundo plano a espiritualidade. Argumentar-se que a riqueza pode trazer possibilidades de enriquecimento espiritual é plausível, mas soa a falácia dado o custo real de uma bíblia e o valor/hora de um padre. he he he

P.A. disse...

Interessante essa questão da ameaça... Talvez uma (re)leitura do jovem rico nos ajude a percebê-la.

http://www.youtube.com/watch?v=x8zydoxgPB0

E o jovem, ouvindo aquelas palavras, retirou-se triste, porque se sentiu ameaçado...

P.A. disse...

E uma possível exegese:
http://www.slideshare.net/pleo.orlando/o-jovem-rico-presentation

Alx disse...

abdicar do que temos e somos é sempre uma amostra de grande disponibilidade para a fé... -mas nem sempre esta teologia vocacional é libertadora. por vezes pode agrilhoar...
penso

Alx disse...

melhor. DEFENDO.

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