[10/03/2008] • 3 comentários

é o que se pretende; -com opinião pública escrita; -com "conversas de café" assumidas diante do mundo; -podemos não ser uns génios, mas somos pessoas que pensam, sentem, amam, questionam, revoltam-se... etc...


Que este CENÁCULO seja esse espaço (especial) onde, ao jeito de pinceladas, vamos dandos esses retoques (quase) finais, mesmo que borremos a pintura de vez em quando...

Obrigado PA pela ATITUDE. E Enquanto o Ricardo (abraço duplamente especial, tu sabes porquê) não nos desafia, deixo um pequeno texto para juntar à linha "editorial" dos posts anteriores (pp. 294-295; p. 299 ; p. 325 p. 328).
Podemos achar que a Igreja não precisa de nós, ou Deus, mas penso ser consensual que o mundo necessite...

Um pequeno texto "transcendente":


"O que é o ser humano? É um ser de abertura. É um ser concreto, situado, mas aberto. É um nó de relações, voltado em todas as direcções. Só comunicando-se, realizando essa transcendência concreta na comunicação, ele se constrói a si mesmo. Só saindo de si que fica em casa. Só dando de si que recebe.
Ele é um ser em potencialidade permanente, um ser utópico. Sonha para além daquilo que é dado e feito. E sempre acrescenta algo ao real. Por isso, ele cria símbolos, cria projecções, cria sonhos. Essa capacidade é o que nós chamamos de transcendência, isto é, transcende, rompe, vai para além daquilo que é dado. Numa palavra, eu diria que o ser humano é um projecto infinito.
Creio que a transcendência é, talvez, o desafio mais secreto e escondido do ser humano. Ele recusa-se a aceitar a realidade na qual está mergulhado porque é mais do que ela e sente-se maior do que tudo o que o cerca. Com o seu pensamento ele habita as estrelas e rompe todos os espaços.
Não há nada que possa enquadrar o ser humano, nem mesmo o nosso moderno sistema globalizado, dentro do pensamento único que afirma ‘não há alternativa para ele’. Essa concepção supõe um conceito pobre do ser humano, não interessado em formar um cidadão criativo, capaz de pensar por si. Está interessado em gerar consumidores, agalinhados em seus poleiros, perdidos da sua identidade de serem águias. Em nome da nossa transcendência, protestamos contra esse modo de realizar o processo de globalização que, em si, representa um patamar novo da história humana.
A transcendência dá ao ser humano uma imensa liberdade. Liberdade, pelo menos, de protestar e de se insurgir. Olhem ao redor e vejam os sistemas que nos querem impingir hoje. Na educação, na família, na escola, nas religiões. Não nos deixemos mediocrizar, mantenhamos a nossa grandeza, a nossa capacidade de voar, a nossa capacidade de transcendência."

Leonardo Boff

3 comentários:

Anónimo disse...

Vou tentar meter-me convosco mais uma vez, e só para dizer isto, caro Abílio:
Se o mundo não precisasse de nós, também a Igreja não precisaria, pelo menos aquela em que acredito e pela qual me apaixonei ainda muito jovem.
Esta Igreja que, quando diz que a missão específica do leigo é ordenar a realidade temporal segundo Deus, lhe está a apontar como meta primeira e essencial, o dever de se entregar à tarefa de fazer com que o mundo seja cada vez mais humano... sem o que não estará ordenado segundo Deus, não será, de facto cristão.
Ah! Peço desculpa desta cedência ao vezo profissional.
Muito amigo
AP

alx disse...

Nâo posso senão concordar com o que deixa escrito. Sei-o e partilho-o profundamente. Escrevi o que escrevi, melhor, escrevi-o provocatoriamente para os que sentem "como nós", "piscando o olho" a quem gosta de olhar a realidade de outras perspectivas.

PS. Essa do "vezo" obrigou-me a ir ao dicionário. A saber, "hábito mau, costume vicioso ou censurável, reimcidência...", só para ajudar outros...

Anónimo disse...

Gostava - aqui estou eu de novo a tentar entrar, pode ser que dê - gostava de modificar um pouco a informação que tiraste do tal dicionário (não sei qual, nem interessa).E para isso cedo mais uma vez ao vezo profissional, ainda que de outra área.
De facto, "vezo" não está assim tão mal acompanhado: porque se estivesse, não teria sido preciso ir de novo ao latim (VITIVM), para podermos dizer sem equívoco, vício=a hábito mau. E repare-se que entre "vezo" e "vício" está "viço", que terá surgido qundo "vezo" começou a tomar uma certa conotação negativa. Conotação que se susteve com uma nova ida ao termo original.
Chega de manias!
Peço desculpa.
Com muita amizade por todos
AP

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