[30/04/2008] • 11 comentários

Vou usar este espaço para pedir formação.
Agora que estou num país onde as pessoas são maioritariamente protestantes, acabo por ser alvo de perguntas muito concretas em relação a vários aspectos do catolicismo.
A confissão e o celibato dos padres são duas questões muito frequentes. E porque não acredito/concordo - e talvez mesmo porque não sei assim tanto quanto isso -, acabo por correr o risco de dar respostas muito simplistas.
Assim, aproveitando a formação teológica dos que por aqui passam, pedia para me explicarem com maior profundidade os fundamentos dos mesmos.
Obrigada!!

11 comentários:

Laura Marques disse...

Sim, fui à wikipedia ver o que por lá se dizia.

Confissão:
Cristo instituiu este sacramento para a conversão dos baptizados que pelo pecado d’Ele se afastaram.

Celibato:[editar] Razões do celibato sacerdotal

A Igreja Católica, sinteticamente, dá as seguintes principais razões de ordem teológica para o celibato dos sacerdotes e religiosos de vida consagrada:[1]

* com o celibato os sacerdotes entregam-se de modo mais excelente a Cristo, unindo-se a Ele com o coração indiviso;
* o conteúdo e a grandeza da sua vocação levam o sacerdote a abraçar na vida essa perfeita continência, que tem como exemplo a virgindade de Cristo;
* o celibato facilita ao sacerdote a participação no amor de Cristo pela humanidade uma que vez que Ele não teve outro vínculo nupcial a não ser o que contraiu com a sua Igreja;
* com o celibato os clérigos dedicam-se com maior disponibilidade ao serviço dos outros homens;
* a pessoa e a vida do sacerdote são possessão da Igreja, que faz as vezes de Cristo, seu esposo;
* o celibato dispõe o sacerdote pare receber e exercer com generosidade a paternidade que pertence a Cristo.

mas:
Alguns historiadores afirmam que a prática foi implementada apenas após o final do primeiro milênio ou seja, na Idade Média, para evitar que a Igreja perdesse posses em eventuais disputas de herança.

Laura Marques disse...

Quanto ao celibato, faz-me mesmo confusão que seja algo obrigatório. Parece-me estranho que um padre tenha que renunciar tão importante aspecto da vida humana, e do entendimento pleno da mesma.
Por outro lado, esta situação (entendimento pleno da vida) não é passível de ser alcançado por ninguém. Mas, mesmo assim, e tendo o exemplo da confissão, em que muitos pecados estão ligados à sexualidade, como se pode realmente perceber e aconselhar os "pecadores"?
Talvez porque assim é mais "fácil" de não "cair em tentação" e conservar alguma objectividade? Ah, não sei...

E quanto à confissão, algo que nunca percebi, como se sabe quantas avé marias e pai nossos vão ser suficientes para sermos perdoados?

verita disse...

Boa pergunta Laura. :)
Também estou curiosa!

Beijinho

Laura Marques disse...

Obrigada, vera :)
Já começava a pensar se esta pergunta fazia sentido...

Alx disse...

está descansada que faz muito sentido. acho. também acho que, neste momento, não sou a pessoa mais adequada para abordar esses 2 assuntos. uma questão de decisão pessoal. que, espero que respeitem. mas fico na expectativa para que outros os abordem. gosto de opinião pública...


quanto ao assunto mais geral, "catolicismo e protestantismo" espero ter tempo para conseguir pesquisar e sintetizar o esencial...

Alx disse...

para começar:
http://www3.est.edu.br/publicacoes/estudos_teologicos/vol4502_2005/et2005-2f_vwesthelle.pdf

ainda não li todo, mas não me parece mal...

Zé Henrique disse...

Hummm... Ok, perguntas interessantes que poderiam dar para o tema da semana. Tudo faz sentido dentro do seu contexto próprio de sentido... Corro o risco de ser demasiado simplista nas poucas linhas que vou agora escrever, mas fica aberto o espaço para ulteriores aprofundamentos.
Quanto ao celibato, poderíamos dizer que a questão é precisamente essa que cria alguma confusão: ao «renunciar», o padre está a ser diferente, e por isso sinal de alguma coisa (ou deverá...): a sua vida como sinal de uma outra vida, de sabor escatológico, de quem está apenas entregue ao Reino, sinal de uma vida onde «na ressurreição, nem os homens terão mulheres nem as mulheres, maridos; mas serão como anjos no Céu» (Mt 22, 30), como diz Jesus. Ou seja, andar por aqui dizendo, com a sua vida, que a vida não é apenas daqui… Por isso, mais que uma «renúncia», é uma «escolha», fruto de um sentir-se vocacionado para isso. Concordar ou não, cada um que faz a escolha, dentro do caminho de descobertas partilhadas com outros, em Igreja, é que tem de o saber. Tal como não podemos obrigar ninguém a casar com este ou aquela, ou a ficar solteiro, também os padres não são obrigados a ser padres… É uma questão de gestão da sua liberdade, em diálogo com outras duas liberdades: a de Deus, para chamar, e a da Igreja, onde se é chamado.
Quanto à Confissão, bem, as Avé-Marias e Pai Nossos nunca são suficientes! ;-) A Confissão é a celebração da certeza do perdão de Deus, o acolher de um Amor que purifica e enche de nova esperança, é um olhar a nossa vida frágil e pecadora e celebrar a certeza de que Deus nos ama assim, como smos, para podermos (com a força do seu Amor em nós) tentar ser um bocadito melhores. O que é preciso para se ser perdoado é estar arrependido e ter o propósito de procurar não voltar a fazer o mesmo… A «penitência» que às vezes se dá (eu pessoalmente é muitíssimo raro fazê-lo) de rezar essas orações, é feita com um sentido da importância da oração na conversão pessoal. Ou seja, se estou arrependido e peço o Perdão de Deus, é para restabelecer uma amizade que, da minha parte, poderá ter sido um bocado «esquecida». Rezando, estou a procurar fazer algo para me aproximar de Deus, e quanto mais próximo estou de Deus, mais fácil será para mim saber o que Ele espera de mim, ou o que eu poderei fazer para viver um pouco mais ao jeito do Amor que Ele é. Por isso, a oração está sempre no caminho da conversão: espaço de encontro, de conhecimento e amizade, e não de cumprir uma determinada «penitência» de caracter mágico…
E mesmo tentando ser curto já fui longo… espero não ter criado ainda mais confusão…

Mariana Marques disse...

Outra questão será: ser padre é uma vocação ou uma profissão?

Mais um tema difícil de responder, não?

Zé Henrique disse...

Uma vocação que ocupa profissionalmente aquele que é padre. Ou uma profissão que só faz sentido exercer se for uma vocação. Diria eu.

Laura Marques disse...

Obrigada, Abílio e Zé!
Zé: acho que deste novo sentido as estes dois aspectos. De qualquer forma, ainda tenho imensas interrogações...
Mas talvez seja um bom motivo (não que precisemos de algum, certo :)) para o adiado café que te prometi há meio século.
Abraço forte!

Zé Henrique disse...

Olá Laura: Eu já nem digo que fioco à espera desse café... ;-) Mas sim, sempre que as questões possam dar espaço para partilharmos os nossos pontos de vista, cá estarei para o fazer contigo. Beijito

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